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Ivan Freitas |
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Local
e data de nascimento
Ivan Freitas
João Pessoa / PB, Brasil, 07/08/1931
Pintor, gravador e desenhista. Assina IVAN FREITAS.
Nota Biográfica
Pintor, muralista. Ivan Freitas (João Pessoa/PB
- 1932) inicia-se na pintura como autodidata, em João
Pessoa, onde realiza sua primeira mostra individual na
Biblioteca Pública, em 1957.
No Rio de Janeiro em 1958, toma contato com a obra de
Salvador Dali e René Magritte. Entre 1962 e 1963,
reside em Paris, França, com bolsa de estudos da
Maison de France, e, de 1969 a 1972, em Nova Iorque, Estados
Unidos, comissionado pela International Telephone and
Telegraph Corporation.
De volta ao Brasil, pinta mural de mais de 1000 metros
quadrados na parede externa da Escola Nacional de Música,
no Rio de Janeiro, em 1984 - o primeiro do Projeto Arte
nos Muros.
Entre as mostras das quais participa, destacam-se: Salão
Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro, entre 1959/1961;
Bienal Internacional de São Paulo, entre 1961/1975;
Resumo de Arte do Jornal do Brasil, no Museu de Arte Moderna
do Rio de Janeiro, MAM/RJ, 1964 e 1969; Opinião
65, no MAM/RJ, 1965; 1ª Bienal Nacional de Artes
Plásticas, Salvador, Bahia, 1966; Ivan Freitas:
Pinturas/Objetivos, na Bolsa de Arte do Rio de Janeiro,
1974; Ivan Freitas, na Galeria do Sesi, São Paulo,
1980; Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP, 1986;
EcoArt, no MAM/RJ, 1992; Opinião 65: 30 Anos, no
Centro Cultural Banco do Brasil, CCBB, Rio de Janeiro,
1995.
Exposições Individuais
1960 - Galeria Pingüim/RJ e Museu
de Arte Moderna – MAM de Salvador/BA;
1962 - Galeria Barcinski/RJ;
1966 e 1968 - Galeria Relevo/RJ;
1967 - Galeria Santa Rosa/RJ;
1973 - Galeria Bonino/RJ e Galeria Collectio/SP;
1974 - Galeria Bolsa de Arte/RJ;
1975 - Galeria Arte Global/SP;
1976 - Galeria Ipanema no Rio de Janeiro/RJ
e em São Paulo/SP;
1977 e 1980 - Galeria Paulo Prado/SP;
1978 - Funcep em João Pessoa/PB;
1979 - Galeria Concorde/RJ;
1981 - Galeria Bolsa de Arte em Porto
Alegre/RS;
1983 - Galeria Matias Marcier/RJ;
1984 - Galeria Gamela em João
Pessoa/PB;
1985, 1987, 1989 e 1993 - Galeria GB/RJ;
1986 - ‘A Paisagem Reinventada’
na Galeria Arte Aplicada/SP;
1989 - Galeria Evasion/SP;
1996 - Galeria Hogar/Santos;
2002 - Ricardo Camargo Galeria/SP.
Exposições Coletivas
1961 a 1973 - VI, VII, VIII, IX e XII
Bienais de São Paulo/SP;
1964, 1968 e 1969 - II, VI e VII Exposições
Resumo de Jornal do Brasil/RJ;
1965 - ‘Opinião 65’
no MAM/RJ;
1965 e 1968 - I e II Salões Esso
de Artistas Jovens no MAM/RJ;
1967 - I Bienal da Bahia em Salvador/BA;
1973 - Galeria de La Maison de France/RJ;
1974 - Acervo de Arte Brasileira do Museu
de Ontário no MAM/RJ;
1975 - XIII Bienal/SP;
1981 - Coleção Gilberto
Chateubriand no MAM/RJ;
1985 - ‘Arte Atuante (Petrobrás)’
no Rio de Janeiro e em Brasília/DF;
1997 - Casa Shopping Gallery/RJ e Almacén
Galeria de Arte, em Niterói/RJ;
2002 - Anos Abstratos, décadas
de 40, 50 e 60 na Galeria Jean Boghici/RJ.
Exposições Internacionais
Individuais
1961 - Galeria La Cavana em Trieste/Itália (obtendo
sucesso marcante com a introdução de Giuseppe
Marchiori e de Maria Martins);
1964 - ‘Pintores Brasileiros’ em Londres/Inglaterra;
1969 - Pan American Union em Washington/EUA;
1971 - Iramar Gallery e Bloomingdale’s Art Gallery,
ambas em Nova York/EUA.
Coletivas
1963 - III Bienal de Paris e ‘Arte
da América e Espanha’ em Madri/Espanha;
1966 - ‘Cinco Pintores Contemporâneos
do Brasil’ em Montevidéu/Uruguai e Buenos
Aires/Argentina.
Obras em Locais Públicos
1984 - Idealiza e executa o painel do
Largo da Lapa, no Rio de Janeiro.
Textos Críticos
“Os elementos positivos da pintura de Freitas consistem
na estrutura da imagem ordenada e ligada por um severo
empenho de estilo e na harmonia entre traços e
cores, claramente exprimido em termos de ‘concentrada
poesia’... O jovem Freitas recusa a casualidade
do efeito material e do gesto automático. Controla
e domina cada parte da pintura com uma vontade de aprofundamento
da imagem que surpreende e encanta.
E uma estranha fascinação que confina com
o mistério. A natureza se mistura à história
de um tempo antigo, revivido através dos séculos.
Freitas sabe ler nos traços mais misteriosos a
linguagem oculta das pausas e dos ritmos, dos motivos
e das cadências, dentro da magia de uma atmosfera
colorida que acrescenta um fascínio agitado à
elegância daquelas estruturas secretas. Freitas
define os ‘enigmas’. E é justo. As
belas e confiantes construções racionais
do Humanismo são substituídas pelas aventuras
enigmáticas do espírito.
É curioso que um jovem brasileiro, um coração
puro, nos dê o pretexto para uma série de
rápidas anotações, mas que compreendem
o traçado de um discurso mais amplo e profundo...
Hoje chega o jovem brasileiro para refazermos, à
sua maneira, o discurso de Klee, com uma segurança
que assombra, com uma facilidade rara de pesquisa que
o aproxima às origens, a nós desconhecidas
e que sentimos comuns, estranhamente próximas.
Ainda uma vez, entre o caleidoscópio da aparência
fugaz, uma imagem se fixa na nossa memória, nítida
e clara: a mensagem inesperada de Ivan Freitas.”
Giuseppe Marchiori
Crítico de arte italiano, na ocasião
da individual na Galeria La Cavaria, em Trieste/Itália,
em 1962.
“A pintura de Ivan Freitas tem uma incontestável
ressonância intelectual. E uma emanação
do espírito, uma especulação de caráter
racionalista, mais do que uma percepção
ou uma contemplação das coisas ou do universo,
através dos sentidos. Isso pode ser constatado
desde a fase dos ‘enigmas’ com o qual o artista
fez a sua estréia no Rio e logo após, realizou,
com sucesso, duas exposições, em Nápoles
e Trieste, muito bem apresentadas por Giuseppe Marchiori.
Depois o artista teve em 1963, uma bolsa de estudos em
Paris, quando passou seis meses na capital francesa, iniciou
outra fase em sua pintura, caracterizada por novos problemas.
Desta fase foram vistos pelo público os primeiros
quadros, inclusive algumas colagens, na exposição
que Ivan Freitas realizou, após a volta da Europa,
na Galeria Barcinski.
A mostra atual assinala o desenvolvimento desse novo período
na carreira artística do expositor, no qual ele
procura fixar uma visão noturna até certo
ponto espectral das cidades da nossa época. A vida
artificial da metrópole moderna está condensada
nas sínteses visuais que o pintor apresenta aos
olhos do observador. Fiel ainda em alguns aspectos à
sua linguagem da época dos ‘enigmas’,
Ivan Freitas recorre a uma expressão contida e
até mesmo cifrada, na transposição
dessa topografia sumária e ideal da representação
urbana deste século, vista de longe até
mesmo imaginada.
É como se o pintor contemplasse uma cidade deste
nosso planeta, através de um telescópio
eletrônico, olhado do ângulo da estrela Sirius
de Andrômeda ou de Canopus da Constelação
do Navio. Isso explica a simplificação de
planos procurada pelo artista, a sua busca quase metafísica
de uma mitologia noturna da grande cidade que é
Paris ou Tóquio. A captação das luzes
e do caráter planimétrico das metrópoles
terrestres, avistadas de distâncias, intransponíveis
para o Homem, estão por isso mesmo reduzidas a
linhas essenciais, nessa espécie de urbanismo transcendente
das telas abstratas do pintor cuja arte continua a manter
uma alta qualidade espiritual.”
Antônio Bento
Crítico de Arte, em 1966.
“As superfícies metálicas se atenuam
para ser um argênteo sombrio de segurança
e prosaísmo; os planos de composição,
rigidamente inspirados, realizam aquela harmonia de conjunto
que era, para Cézanne, a alma do negócio.
Sua sonata eletrônica vem regida por leis geométricas,
possivelmente tão intuitivas quanto à tomada
do tema: Ivan Freitas não estuda cientificamente
os fenômenos em que se baseia.”
Walmir Ayala
Crítico de Arte, em 1968.
“Freitas não se volta para o mundo subjetivo,
não indaga os arcanos do inconsciente; ele indaga
o futuro e, na solidão de seus quadros, promete-nos
um mundo sereno e ordenado. E, se em suas paisagens, não
aparece o homem, não é que essa ordem o
exclui – é que ele ainda não a alcançou.”
Ferreira Gullar
Em 1983.
“[...] As paisagens futuristas de Ivan mostram os
tons dourados, rosados e cinzentos invadindo cada vez
mais o azul predominante nas obras. Apesar dos tons mais
claros, as variações em suas paisagens oníricas
são quase imperceptíveis. Ivan dá
continuidade a uma linha de trabalho iniciada há
oito anos, quando deixou um pouco de lado a pintura geométrica
e começou a fazer estudos da luz em diferentes
horas do dia e divagações sobre paisagens,
pintando céus cobertos de nuvens e arco-íris
e oceanos de um azul profundo. O ser humano continua sem
vez nos seus quadros, mas as figuras geométricas
estão sempre presentes na base das pinturas, na
forma de cilindros, círculos, retângulos
e quadrados.”
Jornal Carioca O Globo
Em 11/09/1989.
“Ele ilumina o infinito, torna tangível o
grande sonho estelar e libera uma silenciosa poesia onde
parecem palpitar as nossas mais urgentes aspirações.”
Walmir Ayala
Crítico de Arte, em março
de 1989.
“[...] Artista consciente do seu ofício,
vem, há muitos anos, trabalhando em torno do espaço,
ao mesmo tempo em que pesquisa luz e cor com surpreendente
resultado. A atmosfera cósmica de trabalhos anteriores,
onde o pintor pautava objetos metálicos que refletiam
raios solares no quadrilátero da tela, tornou-se
referência marcante na sua obra pictórica.
Em cada tela, Ivan Freitas deixava implícito o
mistério da descoberta de um mundo visualmente
desconhecido, porém fascinante, tanto quanto as
máquinas e objetos estranhos, silenciosos na sua
imponência, povoavam paisagens de insólito
conteúdo...”
Geraldo Edson de Andrade
Em 1993.
“Por motivos que ainda não foram suficientemente
estudados, nunca houve na arte brasileira um verdadeiro
surrealismo – nem como movimento, nem mesmo como
espírito. Quem andou mais perto dele foi seguramente
Ismael Nery, com sua mórbida mistura de fantasia
e onirismo. E há algo, também de supra-real,
ou co-real, na magia que envolve as caixas de Farnese.
Mas a regra é como se nosso país demasiadamente
luminoso para conter esses desvãos mais atormentados
e sombrios. As utopias de nossos artistas tendem mais
para a geometria – a qual, como se sabe desde Mondrian,
também pode ser uma forma de idealismo e de escapismo.
De repente surge, na confluência disso tudo, um
pintor que nos obriga a repensar conceitos e rótulos.
É o paraibano Ivan Freitas. Como sua carreira se
desenvolveu basicamente no Rio, convém, antes de
mais nada, refrescar a memória do público
paulista.
Nome respeitado desde a década de 60 – quando
iniciou uma abstração matérica bem
em sintonia com o momento mundial –, Ivan já
expôs algumas vezes em São Paulo. Uma de
suas mostras permanece, a meu ver, inesquecível.
É a que ele realizou em 1973 na extinta Collectio,
apresentando principalmente objetos cinéticos com
luzes, executados durante e logo após uma temporada
nos Estados Unidos. Já nesses objetos se detectava
o propósito específico do pensamento plástico
do artista: lidar com a fantasia de uma maneira exata,
límpida, impecável, suscitando o mágico
por meio de estímulos sutis e à primeira
vista racionais.
Havia ainda naquilo tudo um toque de ‘science-fiction’,
como que detalhes de espaçonaves impossíveis,
e o extremo requinte dos meios tons, onde predominavam
os cinzas e os azuis. Se destaco essa exposição
com tanta ênfase, é porque ela ilumina, a
meu ver, toda a posterior evolução de Ivan
Freitas. Agora, como antes, não há dúvida
de que o artista namora nostalgias de mundo irreais, por
ele imaginados e concretizados sobre telas, no recolhimento
de seu atelier.
Obviamente, o que hoje em dia pinta Ivan Freitas são
marinhas e paisagens, colocadas sob luzes agudíssimas,
cruéis, que apenas acentuam o clima insólito,
a quase atmosfera de alucinação que cerca
essas paragens. São marinhas e paisagens de um
mundo reinventado. Sempre rigorosamente desertas, contêm
em primeiro plano objetos cuja função real
não é clara, mas que têm uma função
pictórica importante, de projetar as sombras incisivas
que pontuam o espaço.
Lembro-me, diante dessas telas, de duas coisas. Primeiro,
a ‘pintura metafísica’ de Giorgio de
Chirico, com suas praças igualmente desertas, suas
arcadas neoclássicas e sombras inclinadas. Segundo,
de um pensamento de Pascal: ‘Le silence éternel
de ces espaces infinis m’effrait’. Há
qualquer coisa de terrivelmente belo, de simultaneamente
tranqüilo e atemorizador, de iminência de crise,
nessas reinventadas paisagens.
Vejo-as, também, como possíveis cenografias
para momentos altamente dramáticos de óperas,
para clímax orquestrais sobre os quais pairam os
agudos da heroína. E, no entanto, como é
ao mesmo tempo simples e misterioso o mecanismo da criação!
Ex-moleque de praia nordestino, Ivan se reporta à
luz real de sua infância para recriar as luzes de
palco de seus quadros. Mais ainda: é absolutamente
fiel consigo mesmo e com sua mais antiga tradição.
Antes de se mudar para o Rio, em 1958, o adolescente Ivan
conhecia reproduções de obras de Dali e
de Magritte e era apaixonado por elas. Chegou a pintar
algumas paisagens no espírito desses mestres. Vi-as,
e, mais que influência, posso assegurar que elas
revelam afinidade, parentesco espiritual, uma identidade
familiar da qual Ivan Freitas, por força das circunstâncias
e da evolução da arte a seu redor, foi-se
afastando.
Por isso levantei, no início deste texto, a questão
de uma ‘vertente surrealista’ entre nós.
Curiosamente – quase paradoxalmente, poderíamos
dizer –, creio que o límpido e equilibradíssimo
Ivan Freitas, com toda sua trajetória passada racionalista,
a representa melhor, e com maior nível de qualidade,
que qualquer um dos muitos desenhistas de índole
fantástica que existem por aí.
Eis o que me conquista, definitivamente, na pintura de
Ivan Freitas. Sua capacidade de propor mundos alternativos,
embora visualmente fundados nos nossos, nos quais mergulhamos
de cabeça, arrastados por uma poderosa e inexplicável
carga simbólica, para um exercício de eficacíssima
catarse.”
Olívio Tavares de Araújo
Crítico de Arte, no catálogo
da exposição ‘29 pinturas e 2 guaches
1962 a 2002’.
“Solidão e silêncio, eis o binômio
dramático proposto por Ivan Freitas. Mas trata-se
de uma proposta serena, madura: em suas telas não
se vê o grito expressionista, nem o protesto romântico.
Formalmente, na pintura atual de Ivan Freitas houve uma
redução do seu vocabulário plástico,
visando maior síntese e menor redundância
da mensagem.
Em sua última exposição, na Santa
Rosa, Ivan Freitas, estava, ainda, ligado à terra,
se bem que a caminho dos cosmos. Eram imagens noturnas
de aeroporto (pistas, números, luzes), já
algo frias e premonitórias da sua aventura espacial.
As imagens atuais são despojadas ao mínimo
porque os acontecimentos são mínimos.
O que se vê mesmo é a face pálida
da máquina e os interiores onde a respiração
é difícil. Apenas num momento, a porta da
máquina se abre e nuvens são vistas; a matéria
pictórica é outra; mais grossa, inquieta.
O quadro como que respira. Mas não por muito tempo.
Novamente o silêncio e a solidão da máquina.”
Frederico Morais
Crítico de Arte, comenta a pintura soturna
e dramática, carregada de matéria dos primeiros
trabalhos, até a fase geométrica, com espaço
e luz combinados numa dança lenta e progressiva,
da obra de Ivan Freitas.
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