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Enrico Bianco |
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Local e data de nascimento
Errico 'Enrico' Paolo Vittoria Romana Bianco
Roma, Itália, 18/07/1918.
Pintor, desenhista e gravador. Assinava E. BIANCO (déc.
40). Atualmente assina BIANCO.
Nota Biográfica
“Seu pai, Francesco Bianco, jornalista e parlamentar
oriundo daquele ardente sul da Itália, é
um espírito agudo, um letrado sutil, um escritor
de alta qualidade. Sua mãe, Maria Bianco-Lanzi,
foi um temperamento musical de eleição e
uma admirável pianista”, nos informa Afonso
Arinos de Mello Franco. Enrico, o pequeno romano com ascendência
calabresa, já com o nome abrandado, inicia sua
carreira aos oito anos de idade em Roma, “[...]
no estúdio de Dante Ricci”, afirma-nos Giovanni
Carandente, “em um daqueles ambientes pitorescos
tão famosos, que se encontram nos Muros Aurelianos
e na Porta Pinciana. Daí vai para a Academia Lipinsky,
na via Margutta, onde se estudava, com grande empenho,
o desenho de modelos vivos”.
Com apenas 17 anos, participa da Quadrienal de Pintura
Italiana de 1935. Vem para o Brasil em 1936, para deixar
a iminente guerra ao longe, fixando residência no
Rio de Janeiro. Sua primeira participação
em salões oficiais no Brasil acontece em 1940,
na Secção Moderna do Salão Nacional
de Belas-Artes, quando conquista a Medalha de Prata. Torna-se
discípulo de Cândido Portinari, passando,
mais tarde, a ser seu colaborador. Trabalham juntos durante
dois anos em diversas obras, destacando-se os murais do
Ministério da Educação; os painéis
do Banco da Bahia sobre a Chegada de D. João VI;
o painel A Descoberta do Brasil para o Banco Português/RJ;
e Guerra e Paz, para o edifício da Organização
das Nações Unidas em Nova York, Estados
Unidos.
Este aprendizado foi um excelente treino para o artista,
a partir de “[...] um ateliê com o qual tem
afinidade étnica e idêntica inclinações
artísticas [...]”, como nos diz Antônio
Bento. É no ateliê que o aluno aprende a
criar e se desprender de qualquer postura acadêmica.
Freqüenta o grupo de intelectuais da década
dos 1940, composto por Mário de Andrade, Manuel
Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos,
Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Carlos Leão,
Affonso Eduardo Reydi, Heitor Villa-Lobos e outros.
Em 1941, Bianco participa de sua primeira coletiva no
Rio, no Palace Hotel, junto com outros discípulos
de Portinari, quando Mário de Andrade avalia: “[...]
Aluno de Cândido Portinari, era natural que Enrico
Bianco se ressentisse ainda da possante lição
desse mestre da pintura contemporânea. Mas o que
interessa verificar na escola de Portinari, é que
o autor do Café, apesar de sua originalidade tão
empolgante, consegue não depreciar as forças
inatas dos seus alunos com um predomínio abusivo.
[...] Onde Enrico Bianco demonstra ainda muito próxima
influência de seu professor é no retrato.
[...]
Nas composições, a personalidade de Enrico
Bianco se define mais. Já agora, o pintor está
mais livremente à procura de sua forma e o percebemos
em sua psicologia matinal, todo entregue à Alegria
de viver. [...] O jovem italiano expõe uma coleção
de nus femininos que está entre as manifestações
mais importantes e admiráveis de sua arte. [...]
A exposição do Palace é uma festa
encantadora de arte verdadeira, de honestidade disciplinada
e de felicidade luminosa. E essa realidade que é
um exemplo e um prazer, eu aplaudo com toda a minha faculdade
de admiração”.
Depois de sua primeira fase, percebe-se claramente um
abandono do figurativismo e maior inclinação
para o abstracionismo, principalmente nos painéis
que executa para a Sala Cecília Meirelles, para
o Teatro de Marionetes do Aterro da Glória, no
Rio de Janeiro, para o Banco Boavista e o Banco do Estado
de São Paulo, no estado do mesmo nome. Como resultado
de 55 anos de atividade ininterrupta, produz mais de 2.500
trabalhos. Segundo Carlos Drummond de Andrade, “o
que Bianco propõe é uma riquíssima
transmutação de aspectos naturais em matéria
de gozo intelectual, pela degustação do
fenômeno artístico”.
Em 1951, ilustra O Caçador de Esmeraldas, de Olavo
Bilac, editada por Cem Bibliófilos do Brasil e
o álbum da gravação do poema sinfônico
Anhangüera, de Heckel Tavares. Também ilustra
a edição norte-americana de Memórias
de Lázaro, de Adonias Filho, por encomenda do Departamento
Editorial da Universidade do Texas/EUA. Em 1960, algum
tempo antes do México organizar sua segunda Bienal
Interamericana, o crítico mexicano enviado para
a seleção dos artistas, havia optado por
Enrico Bianco, entre outros, para representar o Brasil
no evento. Como ficou decidido que o governo brasileiro
pagaria o frete e o mexicano o seguro, a Divisão
Cultural do Itamarati solicitou à Associação
Brasileira dos Críticos de Arte que desse seu referendo
à lista de artistas escolhidos pelo crítico
estrangeiro.
A ABCA cortou Berti e Bianco. Não há referência
sobre o nome completo do Berti cortado. Mas o corte de
Bianco provocou reações enfurecidas. Interpelados,
os críticos responsáveis alegaram que o
artista era “meio acadêmico”. Uma das
fúrias registradas foi a do reputado cronista Rubem
Braga, que soltou o seguinte vendaval: “[...] Sempre
o respeitei como desenhista e como pintor que não
apenas tem talento, como tem métier: sabe desenhar,
sabe compor, sabe combinar as cores e trabalhar com tons
e valores; sabe, em uma palavra, pintar. Dei-me, por isso,
ao trabalho de ir ver os três quadros que ele tinha
separado para o México. São melhores do
que eu esperava; são bons quadros de pintura moderna
em qualquer país do mundo e são os quadros
de um pintor formado no Brasil, e sensível às
sugestões e ao sentimento da vida brasileira; são,
portanto, quadros excelentemente representativos da pintura
brasileira em qualquer mostra internacional. Eu vi; e
os críticos não podem discutir comigo, porque
os críticos não viram.
Organizados em uma associação, reunidos
em um museu que está sendo construído, em
grande parte, com os dinheiros públicos, chamados
a opinar por uma autoridade que também vai usar
fundos públicos, os críticos precisam urgentemente
imaginar que sua responsabilidade cresceu porque se oficializou;
e se não querem ser chefões acadêmicos
do concretismo oficial e odiosos ditadores da moda e dos
destinos, eles têm que aprender a ser mais cuidadosos,
a respeitar a dignidade do artista, mesmo quando este
não adota o figurino do mês: a conceder-lhe
sempre uma pequena margem e benefício da dúvida
de seus próprios julgamentos. E, se não
for demasiado aborrecido, senhores críticos de
pintura, faço-lhes esta humilde sugestão:
vejam os quadros que tiverem que julgar”. O que,
talvez, a crítica nacional não tenha percebido,
não passa em branco a Giovanni Carandente, que
nos afirma: “[...] uma vez longe [dos] ensinamentos
limitados, mas conscientes e honestos, [é possível
que] ele tenha sintetizado por si e a seu modo aquilo
que significava para ele a tradição [...]”.
Em 1967, enquanto organiza as exposições
que seriam levadas em Roma e Tel Aviv, Bianco diz no jornal
Tribuna da Imprensa do Rio: Toda a minha estrutura estética
e os conceitos mais sólidos sobre Arte são
conseqüência de um longo convívio com
o ser mais inteligente e sensível que eu conheci,
Maud Latour. [...] Nunca fui imparcial. Odeio a imparcialidade
e todas as formas de hipocrisias gratuitas. A gente tem
que se empenhar a fundo e faz sofrendo ou gozando ao máximo
todas as conseqüências. [...] Meus compromissos
com a pintura são tantos que várias vidas
seriam poucas para satisfazê-los. A minha realidade
é o que sou capaz de criar, dentro das minhas necessidades
estéticas e com a minha vontade. Ignoro o resto,
mesmo quando me destrói, privando-me de coisas
essenciais, o que já aconteceu. São momentos
terríveis, sem dúvida, mas passam logo.
O que válido é o que nós construímos,
e isto volta sempre, ressurge em sua verdadeira força
independente da fúria irracional do destino”.
Bibliografia
- Artistas Pintores no Brasil, de Theodoro Braga, São
Paulo Editora, 1942.
- Dicionário de Artes Plásticas no Brasil,
de Roberto Pontual, Editora Civilização
Brasileira, 1969, página 76.
- Dicionário Brasileiro de Artistas Plásticos,
de Carlos Cavalcanti, editado pelo Ministério da
Cultura do Brasil em 1973, volume 1, página 242.
- Bianco, vários autores, Leo Christiano Editorial,
Rio, 1982.
- Arte Brasileira, de Walmir Ayala, Ed. Colorama, Rio,
1985.
- Artes Plásticas Brasil, dicionário-catálogo
organizado por Maria Alice e Julio Louzada, 13 volumes
(1985-2002), edição Julio Louzada Publicações,
volumes e páginas, respectivamente, 1B/124, 2B/132,
3B/124, 4B/149, 5RC/120, 6/127, 7B/86, 8/114, 9B/111,
10B/115, 11B/35, 12BRC/50 e 13B/41.
- Cronologia das Artes Plásticas no Rio de Janeiro,
de Frederico de Morais, Topbooks, 1995).
- Dicionário de Pintores Brasileiros, de Walmir
Ayala, Editora UFPR, 1997.
Exposições Individuais
Em 1936, individual na Itália; em julho de 1941,
apresenta na Galeria Itá/SP, uma super-exposição
com 80 óleos e a maior mostra de desenhos que já
se tinha visto em São Paulo; em 1942, Casa &
Jardim/SP; em 1956, expõe no Rio de Janeiro; em
1957, Petite Galerie/RJ; em 1958, Galeria Tenreiro/RJ;
em 1961, 1966 e 1968, Petite Galerie/RJ; em 1963, Museu
de Arte da Prefeitura de Belo Horizonte, quando apresenta
uma grande variedade de técnicas abordando temas
essencialmente populares; em 1964, individual em Lisboa
e Nova Orleans/EUA; em 1966, Casa do Brasil em Roma; em
1967, individuais na Galeria da Praça de Espanha
e na cidade de Cosenza, na Itália, e em Tel-Aviv,
em Israel; em 1968, Galeria Ranulpho do Recife/PE e individual
em Roma; em 1970, 1973 e 1976, Galeria de Arte Ipanema/RJ;
em 1972, Galeria do Hotel Copacabana Palace/RJ; em 1973
e 1976, Galeria de Arte Ipanema/SP; em 1975, Galeria Graffiti/RJ;
em 1978, Mini Gallery/RJ; em 1980, Renot Escritório
de Arte/SP; em 1981, Galeria Dezon/RJ; em 1982, Restrospectivas
no Museu Nacional de Belas-Artes/RJ e no Museu de Arte
São Paulo; em 1995, I RioCult 95 no Rio Centro/RJ;
em 1997, Fundação Benedicto Calixto, em
Santos/SP.
Exposições Coletivas
Em março de 1936, sua primeira coletiva no Brasil,
patrocinada pela Associação dos Artistas
Brasileiros, realizada no hoje desaparecido Palace Hotel,
na Av.Rio Branco, que mostra os alunos de Portinari, entre
os quais, Rosinha Leão, Diana Barbieri, Heris de
Morais, Alcides da Rocha Miranda, Eugênio de Proença
Sigaud, Roberto Burle Marx, Aldary Toledo, Rubem Cassa,
Maria Ignez Correia da Costa, Artiobela Nássara,
Lota Macedo Soares, Edith Behring e Nássara; em
1940, Secção Moderna do Salão Nacional
de Belas-Artes/RJ; em 1941, XLVII Salão Nacional
de Belas-Artes; em 1951, I Bienal Internacional de São
Paulo e Coletiva de pintores sobre produtos alimentícios
no Saps/RJ; em 1954, III Salão Nacional de Belas
Artes Seção Moderna; em 1962, O Retrato
Como Tema na Galeria do Ibeu/RJ; em 1966, Figurativos
Expressionistas no Diretório Acadêmico/RJ;
em 1968, Mostra Tapeçarias Estampadas, patrocinada
pela revista Manchete, quando apresenta serigrafias ao
lado de obras de pintores como Di Cavalcanti, Djanira,
Glauco Rodrigues, José Paulo Moreira Fonseca, João
Henrique, Heitor dos Prazeres, Luciano Maurício,
José Maria Grauben, Fernandes Lisboa e Romeo de
Paoli, entre outros; em 1970, A Figura Feminina, na Galeria
do Ibeu/RJ; na década dos 1970, Galeria da Praça/RJ;
em 1974, O Mar, na Galeria do Ibeu/RJ; em 1976, Contemporâneos
Brasileiros na Galeria Signo/RJ; em 1980, Comemorativa
do Primeiro Aniversário da morte de Alberto Dezon
no Shopping Cassino Atlântico/RJ; em 1982, Retrospectivas
no MASP/SP e no MNBA/RJ, Universo do Futebol no MAM/RJ
e na Galeria Acervo/RJ, e Studio de Cláudio Gil/RJ;
em 1985, Cem Obras do Itaú no MASP/SP; em 1986,
Sete Décadas da Presença Italiana na Arte
Brasileira, no Paço Imperial/RJ; em 1994, Centenário
de Ipanema na Casa de Cultura Laura Alvim/RJ; em 1996,
Visões do Rio – 50 Anos de Banerj, no MAM/RJ;
em 1997, Almacén Galeria de Arte, em Niterói/RJ;
em 1998, Futebol em Arte na Galeria de Arte André/SP;
em 1999, Exposição de Arte Contemporânea
Brasileira Chapel Art Show/SP; em 2000, Mercado de Arte
n. 8 na Galeria Ricardo Camargo/SP e Atualidade Galeria
de Arte/RJ.
Exposições Internacionais
Em 1935, Quadrienal de Pintura Italiana, na Itália;
em 1964, individual em Lisboa e Nova Orleans/EUA; em 1965,
Galeria da Casa do Brasil em Roma; em 1960, é o
artista convidado da II Bienal Interamericana do México,
na qual lhe é dedicada uma Sala Especial; em 1966,
individual na Casa do Brasil em Roma; em 1967, individuais
na Galeria da Praça de Espanha e na cidade de Cosenza,
na Itália, e em Tel-Aviv, em Israel; em 1868, individual
em Roma.
Obras em Locais Públicos
Com Portinari, executa os murais do Ministério
da Educação; os painéis do Banco
da Bahia sobre a Chegada de D. João VI; o painel
A Descoberta do Brasil para o Banco Português/RJ;
e o painel Guerra e Paz, para o edifício da Organização
das Nações Unidas em Nova York, Estados
Unidos. Também executa murais para a Associação
Comercial do Rio de Janeiro, para o Teatro do Parque do
Flamengo, para a Sala Cecília Meirelles, para o
Banco Boavista e para o Banco do Estado da Guanabara.
Leitura Recomendada
Bianco, vários autores, Léo Christiano Editorial,
Rio, 1982. Este livro-documento é o primeiro grande
trabalho editorial sobre Bianco, nele estando registradas
60% de toda a produção do artista. |
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